Tuesday, June 15, 2010
Saturday, May 22, 2010
Cansaço
Escrevo o que me dizes. Escrevo sempre, não páro. Escrevo o que eles vão dizendo também, enquanto seguem o seu caminho.
De costas voltadas, seguem conversando num alegre silêncio que procuro entender. Onde irão?
Schhh! Espera! Não digas nada agora. Não consigo ouvir o entusiasmo deles, assim, se me falas com toda essa tristeza. Como vou poder escrever essa alegria, se não a oiço? Se o teu choro a abafa? Mas... seria alegria mesmo, ou apenas um cansaço não reclamado?
Tu, que dizes agora? Porque já não falas? Porque te calaste?
E eu, se já não os vejo... se já não te oiço... será que me perdi?
O caderno caiu-me das mãos. Estou cansada. Já não escrevo mais.
Tuesday, March 30, 2010
Por essa estrada...
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também.
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também.
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
(...)
Zeca Afonso
Tuesday, March 23, 2010
O sentido do caos
Saturday, March 20, 2010
Tuesday, March 16, 2010
As mãos
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas de mãos.
as mãos que são o canto e são as armas.
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Wednesday, March 3, 2010
Entretanto
Entre cá e lá...
Entre o antes e o agora, entre o caminho do mar ou o do Boé, entre um grito agudo ou suave, entre uma roupa que se veste ou que se despe, entre um suspiro de alívio ou um engolir de angústia, entre o sul ou o leste, entre o sair ou ficar, entre o som do aparelho de rádio ou o silêncio, entre o sumo de veludo ou de cabaceira, entre arriscar ou hesitar, entre subir ou descer, entre peixe ou galinha, entre arroz deste ou daquele.
Entre tanto e tão pouco, entre cá e lá...
Tempo passado
Monday, March 1, 2010
Mudam-se os tempos, mudam-se os... frutos!
Se neste cesto se empoleirassem todas as minhas incertezas – tal como ontem se empoleiraram nas minhas mãos os primeiros galinácios que catrafilei – retiraria a cada caju a sua firme e confiante castanha e, deixando o fruto para futuros momentos de embriaguez, torra-la-ia de sucessos, Benvindo, caju!
Monday, February 22, 2010
Wednesday, February 17, 2010
Formas
Seria assim a imagem traçada no quadrado com que me presenteaste aquela noite?
Sunday, February 7, 2010
O tempo...

Quase acreditei que vários meses tivessem passado num respirar suspenso,
Que as horas tivessem dado a volta àquela capelinha branca onde passava sempre que saía da praia pela tua mão,
E que, distraindo o bocejo que insistia em relevar-se no passar de todos esses minutos, quase amarrotando o teu vestido preto, os teus olhos grandes tivessem estado sempre aqui.
Tudo não passou, afinal, de uma silenciosa caminhada, vagarosamente doce...
Tuesday, July 14, 2009
Friday, June 19, 2009
Ó saudade do poeta-vendedor de amendoim torrado!
O som do meu tambor ecoa... ecoa pelo ar E faz meu coração com emoção... pulsar!
Invade a alma... alucina
É vida, força e vibração! Vai meu Salgueiro... Salgueiro
Esquenta o couro da paixão
Ressoou da natureza... primitiva comunicação!
Da África... dos nossos ancestrais
Dos deuses... nos toques rituais
Nas civilizações... cultura
Arte, mito, crença e cura
Tem batuque... tem magia... tem axé!
O poder que contagia... quem tem fé!
Na ginga do corpo... emana alegria
Desperta toda energia!
No folclore a herança, no canto, na dança... É festa... é popular!
Seu ritmo encanta, envolve, levanta... E o povo quer dançar!
É de lata, é da comunidade
Batidas que fascinam
Esperança... social, transforma... ensina!
Ao mundo deu um toque especial
É show... é samba... é carnaval!
Vem no tambor da academia
Que a furiosa bateria... vai te arrepiar!
Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro
Salve os mestres do Salgueiro
Acadêmicos do Salgueiro
O Coelho e o Tempo
Thursday, June 18, 2009
Livros
(Caetano Veloso)
Monday, June 8, 2009
Gavetas de lembranças com cabos eléctricos
Do sol, da esplanada, da cerveja barata, do marisco à beira mar, de ir jantar fora, do vinho à pressão.
Dos barcos a acenarem-me à janela.
Das velhas às suas portas.
De apanhar o metro pela manhã.
De um almoço barato na tasca.
Das sarjetas entupidas quando chove.
Das filas para pagar.
Dos nomes das freguesias.
De um electricista e dos senhores dos arranjos.
Sunday, May 17, 2009
Ao calçar o pôr-do-sol...
Desapertou as lembranças que lhe estrangulavam o gargalo entortado, e levou-as até ao café central, que agora é pizzeria, decerto com “a” em lugar do “e”. Tempo de peixe, esse, onde ainda recentemente se saborearam memórias.
Mas… espera! Parece-me que uma outra voz mais longínqua quer também reclamar a sua dita!
Ah, sim, é a bisteca que te sorriu da ‘Galleria’, em dia de notas soltas por um famoso violino.
E…
E se o desviasses do caminho, contando-lhe histórias de reis que o levavam ao café? E se de cada vez que te acompanhasse nesse desvio o presenteasses com mais um apagador para a colecção?
Os seus sapatos continuam limpinhos, agora que os conseguiu ajeitar.
Mas no meu sonho eram sandálias de luz, que me fugiam do pé à devida velocidade. Eram feitas de pôr-do-sol, as minhas sandálias. E queimavam-me os pés, como as memórias.
Tons alaranjados flutuavam abaixo, e deixei-me subitamente tombar neles. Hmmm… como eram macios!
Alguém lhe tocou ao de leve no ombro que já não se sentia queixoso. Voltei-me, depois da queda amortecida, mas já não vimos ninguém…
Saturday, May 16, 2009
"O sol nasce todo dia"
E foi ficando assim de gente.
Uma legião de acordados com os olhos no horizonte.
O que se passa? O que que é isso? (...)
Vai ver que tem alguma coisa que se move,
Uma nave ou um ovni,
Alguma coisa (...)
Ou esperam uma mensagem
Ou estão todos de bobeira.
Mas é intrigante,
Contagiante.
É tanta gente com os olhos no oriente e no clarão que já desponta.
E de repente...
É uma bola que levanta no horizonte,
Numa fogueira exuberante.
Enfim, é o sol!
E eis a multidão extasiada, olhando o céu
com cara de espanto e gritando: Nasceu o sol! Nasceu o sol! Nasceu o sol! Nasceu o sol!
É claro! O sol nasce todo dia..."
(Luiz Tatit)
http://www.deezer.com/track/no-decorrer-da-madrugada-T1615161
A beleza do poeta...
Friday, May 15, 2009
Sensations...
"No one ever told me that grief felt so like fear. I am not afraid, but the sensationis like being afraid. The same fluttering in the stomach, the same restlessness, the yawning. I keep on swallowing.
At other times it feels like being mildly drunk, or concussed.
There is a sort of invisible blanket between the world and me.
I find it hard to take in what anyone says.
Or perhaps, hard to want to take it in.
It is so uninteresting.
Yet I want the others to be about me.
I dread the moments when the house is empty. If only they would talk to one another and not to me…”
(C. S. Lewis)
Thursday, May 14, 2009
Meias de amor ao sol
Wednesday, May 13, 2009
Saudade...
Depois melhora...
dói bastante, mas depois melhora
e com o tempo vira um sentimento que nem sempre aflora,
mas que fica na memória.
Depois vira um sofrimento que corrói tudo por dentro, que penetra no organismo, que devora,
mas depois também melhora.
Sempre que alguém daqui vai embora
dói bastante, mas depois melhora
e com o tempo torna-se um tormento que castiga, deteriora,
feito ave predatória.
Depois vira um instrumento de martírio duro e lento, uma queda num abismo,
que apavora, mas depois também melhora.
E vira então uma força inexplicável
que deixa todo mundo mais amável.
Um pouco é consequência da saudade,
um pouco é que voltou a felicidade,
um pouco é que também já era hora,
um pouco é pra ninguém mais ir embora.
Vira uma esperança,
cresce de um jeito que a gente até balança,
enfim.
Às vezes dói bastante,
mas melhora,
enfim.
É só felicidade,
aqui agora.
É bom,
é bom não falar muito que piora.
Enfim, é só felicidade".
(Luiz Tatit)
http://www.deezer.com/track/depois-melhora-T1615175









